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Apresentação do livro "MARILYN — Ninfa e Dasein", de bernardo Pintto de Almeida
27 Jun
A Ninfa, cuja função maior, como nos ensinou Warburg, é tornar visíveis os emblemas da beleza, da vitalidade e da paixão erótica, foi uma incontornável figura da Antiguidade, quer na literatura (mitológica, filosófica e poética) quer nas artes, e sobreviveu, secretamente incógnita, durante séculos. Ela reapareceu no Renascimento, de novo figurada nas artes e nas letras, associada à redescoberta da Antiguidade. O seu reaparecer no século xx iria fazer-se com o cinema, já que foi o cinema que permitiu repensá-la e, sobretudo, revê-la, sob a forma da imagem-movi - mento. A Ninfa cumpriu, no século xx, o que fora um desígnio da Antigui - dade depois redescoberto pelo Renascimento e agora actualizado: o que Botticcelli sugeriu foi, assim, amplificado por Hollywood. Se for como penso, deveremos procurar entender de que modo essa figura - ção reapareceu no contexto que é o nosso, contemporâneo, pelo menos desde a Modernidade e até hoje, para poder traçar-lhe uma arqueologia: entender, na luminosa e enigmática figura de Marilyn, um exemplo da nachleben da Ninfa — e uma vez que a nachleben (sobrevivência, imagem póstuma) não significa repetição, mas reinscrição em um novo contexto — na época contemporânea, é o propósito deste ensaio.

